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Crateras de Chão Fraturado

Crateras de Chão Fraturado
 

Mosaico - GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
A maioria das crateras lunares são crateras de impacto pequenas e simples. Mas para algumas crateras maiores que 20-30 km a morfologia de impacto é modificada por atividades relacionadas ao vulcanismo. Posidonius é um exemplo excelente e crateras semelhantes compartilham muitas destas características: chão raso, inundado por lava dos mares, rilles concêntricos e radiais, crateras de halo escuras, e localização perto de uma mar. 
Em 1976 Pete Schultz nomeou tais crateras como ‘’floor-fractured crater’’ (FFC) crateras de chão fraturado. Schultz descobriu 206 FFC e propôs que elas se formaram pelo magma que estava acondicionado em um lago debaixo do chão da cratera. A pressão deste magma ergueu o chão da cratera e produziu as fraturas. Em muitas crateras de FFC, a lava escapou à superfície e criou lagoas de lava, rilles sinuosos e crateras de halos escuros. 
Por causa de tais modificações vulcânicas, as FFC estão entre as crateras mais interessantes da Lua para observadores.
 
 
O diagrama abaixo ilustra o processo que Schultz propôs para o levantamento e modificação das crateras de impacto. 
 
O primeiro desenho (A) mostra uma cratera de impacto - tanto sua cavidade transiente original (linha pontilhada) e forma final após o colapso com o piso e pico de elevação central. 
 
O segundo desenho (B) mostra a ascensão do magma através do solo, uma falha e uma zona de brecha em uma cratera. 
 
No terceiro desenho (C) a zona de magma cresce, o chão da cratera é elevado e fratura, permitindo que em alguns locais o magma flua.
 
No quarto desenho (D) o magma pode ser visto formando lagos no chão da cratera.
 
Nem todas as crateras progrediram através de toda esta seqüência de interrupções e modificações.
 

 
Schultz classificou as FFC em 6 tipos baseado na profundidade da cratera, o padrão de fratura e o tipo de chão.
 
Classe I: crateras de impacto fraturadas com andares. Tem características mais recentes, são grandes crateras de impacto (picos centrais, terraços de parede ou recessões e ejecta blanket), mas também possuem fraturas no assoalho (rilles), piso liso e crateras de halo escuro. Exemplos são Atlas, Petavius e Humboldt.
 

GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
Classe II: rasas, com chão fraturado, são montanhosas. Menores crateras da Classe I, com acentuadas paredes e escarpas superficiais, piso acidentado cortado por rilles concêntricos. Exemplos incluem Encke e Vitello.
 

GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
Classe III: piso com fosso largo. Um grande fosso anular preenchido com lava,  planícies separam o piso interno da parede da cratera. Exemplos são Gassendi, Posidonius e Warner.
 

GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
Classe IV: piso e fosso estreito. Crateras em geral menores  do que a classe III, faltando terraços. Andar parece cúpula com fraturas radiais sulcadas. Inclui dois sub-tipos. IV A e B. deste tipo de FFC. 
 
Exemplos incluem Gaudibert e Bohnenberger.
 

GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
Classe V: planícies de chão fraturados. Parecem ser grandes crateras mais antigas que são pouco modificadas, exceto para pisos lisos  cortados por rilles lineares. Alguns podem ter crateras de halo escuro. Exemplos são Alphonsus e Lavoisier D.
 

GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
Classe VI: Piso amplo, raso, fraturado nas bordas. 
Exemplos são Pitatus e Tsiolkovsky.
 

GSO 12" + QHY5L-II, por Avani Soares
 
Quando você observar a Lua e olhar estas imagens verá que outras crateras também se encaixam nesta classificação elaborada por Schultz.
 
Note que alguns destes FFC (Floor Fractured Crater) são relativamente pequenas (40 km é pequeno quando você está tentando ver mais detalhes do chão) ou estão perto do limbo, portanto observar as características do piso vai ser difícil.
 
Este pequeno trabalho não tem grandes pretensões, apenas visa chamar a atenção dos colegas para o fato de como podem ser ricas as características lunares a serem fotografadas.
Quero ver se com o tempo consigo completar as fotos que faltam substituindo as que usei agora obtidas do LROC-QuickMap.
 
 
Fonte: Avani Soares – Observatório Parsec, Canoas, Brasil

 

1 Comentar para "Crateras de Chão Fraturado"

Milton Em 02 Oct 2014
Meses atrás vi uma fratura na superfície da Lua e fiquei intrigado para saber o que levou a formação dela. O curioso é que não se tratava de uma fratura interna a uma cratera, vi ela em uma região plana da Lua (ou creio que fosse plana). Agora que entendo o processo desse tipo de formação, vou avaliar melhor o que eu vi. Obrigado pelo artigo! :) Responder este comentário

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